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Desparaíso

De 31/07/2017 a 21/09/2017 16:00
Sorteio em 21/09/2017 16:30



Descrição do passatempo

DESPARAÍSO

Sinopse
DESPARAÍSO" é a história de D’Jon, um africano lusófono que, migrante da sua pátria em busca do El Dourado europeu, “aterra” num dos mais pobres e perigosos subúrbios de Lisboa, onde, afinal, perdido de amores... se sente em casa. Como é que este amor floresceu é o que veremos. O espetáculo compõe-se de pequenos quadros de situação nos quais acompanhamos as aventuras e desventuras do herói – D’Jon-, desde a partida de África até ao seu “estabelecimento”. 

Ficha Técnica e Artística
Direção: Paulo Campos dos Reis | Interpretação: Adriano Reis e Ricardo Soares | Adereços: Lucrécia Alves| Fotografia: Nuno Gomes| Vídeo: Ricardo Reis e Lilia Santos | Assistência de produção: Rute Xavier | Designer gráfica: Norma Carvalho | Coordenação de projeto: Paulo Campos dos Reis e Ricardo Soares | Produção: MUSGO Produção Cultural.

Classificação Etária: M 12 anos
Duração: 50 minutos aprox. | com conversa aberta ao público após a sessão

Sobre:
"DESPARAÍSO” é uma comédia para dois actores sobre a diáspora africana lusófona nos subúrbios de Lisboa.

O texto do espetáculo, que entrança ficção e realidade, resulta de um fórum dramatúrgico que implica biograficamente o elenco (luso-africano).

DESPARAÍSO” será apresentado em quatro concelhos do País (Cacém, Rio de Mouro, Fontanelas, Porto, Lisboa, Seixal) complementado com a realização de uma oficina pedagógica sobre o tema da diversidade e integração, organizada em articulação com associações socioculturais locais.

Em Junho de 2017, fez uma digressão a Cabo Verde, a São Vicente, Sal e Santiago - através do Instituto Camões - Centro Cultural Português do Mindelo e da Praia, ALAIM e Festival SalEncena.

A MUSGO Produção Cultural é uma estrutura artística de criação e produção de espetáculos radicada em Sintra, concelho do País onde se concentra, segundo os censos de 2011, a maior comunidade de cidadãos imigrantes africanos lusófonos do País. Este espetáculo assume particular pertinência no percurso do coletivo, corroborando e ampliando objetivos artísticos no que concerne à sua implicação social com a comunidade com a qual (Adriano Reis, intérprete, é cabo-verdiano e munícipe sintrense) vem trabalhando.

Apesar de irresistivelmente político, o espetáculo não tem uma "agenda" ética de ativismo social; antes explora, hiperboliza, situações tragicómicas de um imigrante africano, caracterizando, lateralmente, idiossincrasias dos habitantes dos subúrbios de Lisboa.

O espetáculo aposta, sobretudo, no trabalho dos dois atores, numa linguagem de encenação que se aproximará da estética do chamado Teatro do Absurdo (na acessão de Martin Esslin); diálogos vigorosos, com jogos de vocabulário, recurso a clichês e nonsense; ou jogos físicos com situações de quotidiano, viradas do avesso, sem sentido ou paradoxais. Cenografia simples, que recorre a objetos maximamente significantes (mapas, malas, cadeiras, etc). O que nos interessa: o jogo simbólico dos atores na cena.

Em cada uma das cidades de apresentação pretenderá atrair públicos diversos, com especial incidência, no caso das apresentações em Portugal, de elementos da comunidade africana, afrodescendente residente e portugueses residentes nas cidades e suas periferias suburbanas. Depois de todos os espetáculos, abrir-se-á, nos lugares de apresentação, um espaço de conversa entre os criadores e a assistência.

Numa lógica de aproximação aos públicos dos temas convocados pelo espetáculo, realizamos, em cada cidade, dirigida às comunidades locais (em associações juvenis, socioculturais ou nos próprios teatros), a oficina “Mais Diversidade, Melhor Humanidade”. Esta oficina, realizada desejavelmente antes do espetáculo, propõe uma abordagem metodológica via educação não formal, e é facilitada por Adriano Reis (intérprete). A partir de "DESPARAÍSO” pretende-se, com o grupo de participantes, inscrever, debater, aprofundar e antagonizar conceitos como Diversidade Cultural vs Xenofobia; Não-Ódio vs Estereótipo e Preconceito; Sentimento de Pertença e Identidade vs Desenraizamento. “Mais Diversidade, Melhor Humanidade” surge, neste contexto, como elemento catalisador: reforça a ligação aos serviços educativos dos locais de acolhimento (ampliando o debate em torno do espetáculo) e, por outro lado, atrai públicos (participantes da oficina e seu círculo de influência) às salas de apresentação.

O processo de construção do espetáculo radica na implicação (em sede de fórum dramatúrgico) de todo o elenco; cruzam-se contiguidades afetivas (de pertença) e conhecimento ("no terreno") de realidades contextuais, com evidentes reflexos na criação. O cruzamento das experiências pessoais permite rastrear e verter para o espetáculo "tiques identitários" de ambos os lados - português e africano-, realizando uma prática dramatúrgica, por assim dizer, mestiça.

Em 2018, itinerará pela Guiné Bissau e Angola.
Conta, para já, com o apoio financeiro da Câmara Municipal de Sintra.
Estreou no dia 24 de Março de 2017, no Auditório Municipal António Silva, no Cacém.

Contexto sociológico
Depois do irresistível crescimento dos subúrbios de Lisboa, sobretudo depois do 25 de Abril (e consequente democratização do preço da habitação), as periferias das grandes cidades tornaram-se verdadeiros dormitórios de betão armado, onde a população com menos recursos económicos encontrou o seu espaço. Fenómenos como o êxodo rural dos anos 60 (movimento migratório que mobilizou a população rural portuguesa para as grandes cidades) e a diáspora africana em direção à ex-metrópole (depois da descolonização e da eclosão, nalguns países, de guerras civis) enformam o quadro sociológico que caracteriza as personagens-tipo de “DESPARAÍSO”. D’Jon pertence à segunda geração de africanos (identificando a primeira com a dos ex-combatentes) que chega a Portugal (a Europa sonhada) à procura de uma oportunidade. Repete os passos dos seus antecessores; e um dia regressará à pátria para gozar uma velhice próspera. É também a história de muitos emigrantes portugueses e de todo o mundo: mudar de vida (para melhor). A Europa de hoje já não é, todavia, o El dourado. A crise económica que vem afetando os mercados de há uma década para cá cavou problemas políticos e sociais gravíssimos, de entre os quais se destacam o desinvestimento em programas de solidariedade social generosos ou as crescentes taxas de desemprego jovem. 
É neste contexto – o de hoje – que decorre a ação de “DESPARAÍSO”. O país de D’jon pode ser qualquer país lusófono africano. O subúrbio a que se faz referência pode escolher-se entre a Linha de Sintra e a Margem Sul.

 CURRICULA

MUSGO
A MUSGO Produção Cultural é uma estrutura de teatro profissional, formada em 2012, que tem financiamento anual da Câmara Municipal de Sintra. Apresenta, no biénio 2016/17, o espetáculo transdisciplinar (bimestral) “Ofensiva Amada”, no Centro Cultural Olga Cadaval, e, o ano passado, o espetáculo “Os Lusíadas – Viagem Infinita”, na Quinta da Regaleira, em Sintra. Há dois anos, em São Vicente, Cabo Verde, apresentou, pelo Instituto Camões – Centro Cultural Português do Mindelo, Associação de Turismo de Lisboa, e Câmara Municipal de Sintra, o espetáculo “Ou Quixote”, a partir de Cervantes.

Paulo Campos dos Reis
Mestrando em Escritas de Cena, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Tem o Curso de Encenação de Teatro Musical, ministrado por Gottfried Wagner. É encenador profissional deste 98. Co-fundou os coletivos teatromosca, Éter Cultural, Valdevinos Teatro de Marionetas e Musgo. Foi assistente de encenação de Carlos Avilez. É autor de meia dúzia de peças de teatro, das quais se destacam “As Taças de Hymineu”, para o Sintra Estúdio de Ópera, no Centro Cultural Olga Cadaval,  e “Macte Animo” (em co-autoria com João Cruz Alves), para a Fundação Cultursintra. Dirigiu “Ou Quixote”, na Quinta da Regaleira, em Sintra, no espaço do grupo de teatro “O Bando”, em Palmela, e, no Mindelo, Cabo Verde, para o Instituto Camões - Centro Cultural Português do Mindelo. Programador de “Ofensiva Amada” espetáculo transdisciplinar mensal que decorre, no biénio 2016/17, no Centro Cultural Olga Cadaval.

Adriano Reis
Curso de Teatro e Expressão Corporal pelo Instituto Camões, Centro Cultural Português do Mindelo - Cabo Verde. Interpretou “Lisboa Invisível”, encenação Miguel Seabra e Natália Luiza, Teatro Meridional e S. Luiz. “Os vivos, o morto e o peixe frito” leitura encenada no Teatro D. Maria II, coordenação de Cândido Ferreira. Gravação áudio de “Chiquinho”, de Baltazar Lopes, coordenado por Maria do Céu Guerra, Teatro A Barraca. Interpretação nos filmes “Fintar o Destino”, de Fernando Vendrell,, rodado entre Cabo Verde e Portugal e “Black Dju”, de Pol Cruthen, uma coprodução Portugal, Bélgica e Luxemburgo. Membro da Bolsa de Formadores da DINANO Associação. Facilitador voluntário da Associação Nacional Juvenil – Diáspora Africana em Portugal e ADYNE African Diaspora Youth Network in Europe e JURE – Associação Juvenil. Animador assistente nas Associações Imigrantes ANJI-DJAP, ADYNE, BUE FIXE, KIZOMBA, ESTRELAS DA LUSOFONIA, JURE, AFECP e Federação Cabo-verdiana da Juventude.

Ricardo Soares
Mestrando em Encenação, pela Escola Superior de Teatro e Cinema. Tem o Curso Profissional de Artes do Espectáculo na Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espetáculo. Membro fundador da MUSGO, associação cultural na qual desenvolve o seu trabalho de Actor, encenador e produtor. Parte integrante do grupo de teatro de improviso “INSTANTÂNEOS”. Tem formação em técnica de improviso teatral e técnica da máscara; Foi dirigido por Paulo Campos dos Reis (“Os Lusíadas – Viagem Infinita”, "Ou Quixote"), Mário Trigo (“Ulisses”), Filipe Crawford, (“A Ilha dos Deuses”), Filomena Oliveira (“Memorial do Convento”), Nuno Vicente (“Despedida de Solteiro”) , José Henrique Neto (“Auto da Barca do Inferno) nos últimos cinco anos.

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